Na Sessão Ordinária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizada na quarta-feira (22), o deputado estadual Max Russi (Podemos) fez graves acusações sobre a licitação destinada à gestão do Hospital Metropolitano. Ele afirmou que o edital foi elaborado de maneira a beneficiar exclusivamente a Organização Social de Saúde (OSS) Agir Saúde, conhecida por sua atuação no Hospital Regional de Cáceres.
Russi destacou que a estrutura do edital da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) foi tão restritiva que apenas uma empresa conseguiu se destacar no processo. A Agir Saúde, que já havia assumido a administração do hospital em Cáceres, estava prestes a vencer a licitação do Hospital Metropolitano quando o Tribunal de Contas interveio e suspendeu o processo. "O edital era tão restritivo que só dava oportunidade para uma única empresa ser sagrada vencedora", declarou o deputado.
Outro ponto levantado por Russi foi um suposto esquema de “porta giratória” envolvendo servidores públicos. Ele mencionou que um servidor que participou da modelagem do edital deixou seu cargo para assumir uma posição de destaque na própria OSS vencedora, recebendo um dos maiores salários da empresa. "É no mínimo suspeito. Vou encaminhar essa denúncia ao Ministério Público para que se averigúe a conduta deste servidor", disse o presidente da ALMT.
Além das irregularidades na licitação, Russi também denunciou um possível aparelhamento político na Secretaria de Saúde. O deputado afirmou que há diretrizes internas que orientam os servidores a não atender demandas apresentadas por parlamentares. "A ordem lá dentro é: ‘se for de deputado, não é para atender’. Isso é desumano", criticou.
O deputado pediu ao presidente da CPI da Saúde, Wilson Santos (PSD), que os responsáveis pela elaboração da licitação sejam convocados para prestar esclarecimentos. Ele também solicitou informações sobre os cargos de confiança na SES-MT e as respectivas indicações, além de um apelo ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para que tome providências contra o que considera aparelhamento político.
Com um contrato que pode chegar a R$ 200 milhões por ano, a situação gera preocupação entre os parlamentares e a população, que clama por serviços de saúde mais eficientes e transparentes.