O caso de Fábio Luís Lula da Silva ilustra essa distorção. Por anos, ele foi utilizado como símbolo de corrupção, independentemente da diferença entre suspeitas e investigações. Para alguns, ele era automaticamente considerado culpado, enquanto outros defendiam sua inocência sem questionar. Assim, o devido processo legal se transforma em uma formalidade que atrapalha narrativas já definidas.
Essa situação representa não apenas um comportamento problemático, mas uma ameaça à própria estrutura institucional. Quando a sociedade começa a legitimar condenações baseadas em afinidades ideológicas, os princípios do Estado de Direito são comprometidos. A justiça deixa de ser um valor universal e se torna um instrumento de seletividade.
O que está em jogo não são apenas as reputações de políticos, mas a habilidade coletiva de distinguir entre fatos e opiniões, evidências e narrativas. Uma democracia robusta exige mais do que eleições; requer cidadãos que estejam dispostos a questionar suas próprias certezas e paixões. É fundamental ter a paciência de esperar pela verdade, mesmo quando ela desafia as crenças pessoais. Sem essa disposição, a política se reduz a um espetáculo emocional, onde o ódio e a adoração prevalecem sem critério, e o julgamento se dá sem reflexão.