Luiz Antônio Rodrigues Silva, líder religioso e advogado, recebeu uma sentença de oito anos e nove meses de reclusão, em regime fechado, pela prática de violação sexual mediante fraude contra duas adolescentes. A decisão foi tomada na sexta-feira (10) pelo juiz João Bosco Soares da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá.
O magistrado constatou que Luiz Antônio utilizou sua influência como dirigente espiritual de um terreiro de Umbanda na Capital para se aproximar das vítimas. Ele as convenceu de que a realização de atos sexuais era uma obrigação imposta por entidades espirituais.
A Justiça destacou que a liberdade das adolescentes foi comprometida devido à manipulação religiosa promovida pelo acusado. Um dos casos revelou que uma das vítimas foi levada a um motel sob a falsa premissa de que precisava realizar um “pagamento espiritual” relacionado a consultas religiosas.
Em outro episódio, a relação começou na adolescência e se prolongou por anos, com o réu alegando que a interação era aprovada por entidades cultuadas no terreiro. O juiz enfatizou que a manipulação da fé foi fundamental para a ocorrência dos crimes.
Na sentença, o juiz apontou que a fraude foi caracterizada pela exploração da confiança das vítimas em um contexto de assimetria de poder, onde a manipulação espiritual corrompeu o consentimento. A continuidade das ações delituosas contra diferentes vítimas resultou em um aumento da pena.
Além da pena privativa de liberdade, a sentença determinou a perda do cargo público que Luiz Antônio ocupava como auditor em um órgão municipal, por considerar sua conduta incompatível com a função. Também foi estipulado o pagamento de indenização mínima por danos morais às vítimas, de acordo com o promotor de Justiça Rinaldo Segundo, que apontou a decisão como um avanço no combate a crimes sob a aparência da fé.