Em um vídeo divulgado nas redes sociais na quarta-feira, 24 de junho de 2026, Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e membro do Partido Liberal (PL), revelou ter se sentido desrespeitada e humilhada durante uma conversa telefônica com Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência. A ligação, que deveria tratar de questões relacionadas ao palanque do PL no Ceará, acabou se tornando um momento desconfortável. Michelle relatou que Flávio foi ríspido e sugeriu que ela ficasse afastada das decisões do partido, o que ela considerou uma forma de humilhação.
O desentendimento surgiu após Michelle expressar sua oposição à articulação de lideranças do PL no Ceará, que buscavam uma aliança com Ciro Gomes, do PSDB, já no primeiro turno da disputa estadual. A ex-primeira-dama defende que a direita deve apoiar a pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do Estado, argumentando que a aproximação com Ciro não se trata apenas de uma questão eleitoral, mas de coerência política.
Michelle lembrou declarações anteriores de Ciro Gomes que criticavam o ex-presidente Jair Bolsonaro, ressaltando que seria contraditório para os membros do bolsonarismo apoiarem alguém que, segundo ela, contribuiu para a inelegibilidade do ex-chefe do Executivo. Além disso, a ex-primeira-dama acusou os filhos de Jair Bolsonaro de agirem de maneira coordenada em resposta às suas críticas, afirmando que as reações pareciam premeditadas.
Em defesa de sua experiência política, Michelle destacou sua atuação à frente do PL Mulher, onde ocupa a presidência nacional. Ela enfatizou que viajou por todo o Brasil, estabelecendo diretorias nos 27 estados e no Distrito Federal, e que seu conflito com Flávio não diz respeito a cargos ou projetos, mas sim a questões de respeito e consideração.
A crise familiar reflete as divergências no campo bolsonarista sobre a estratégia a ser adotada nas eleições de 2026 no Ceará. Na semana anterior, Michelle já havia manifestado apoio a Eduardo Girão, afirmando que a direita não deveria fazer “aliança com o mal”, em uma clara referência à aproximação entre o PL e Ciro Gomes. Essa articulação conta com o apoio de André Fernandes e aliados do ex-presidente no estado, que defendem a união das forças para enfrentar o PT. Contudo, Michelle argumenta que qualquer discussão sobre uma possível aliança com Ciro deveria ser considerada apenas em um eventual segundo turno na eleição.