O aumento dos casos de feminicídio e a recorrência de violência doméstica em Mato Grosso têm motivado as autoridades de segurança a implementar novas abordagens para prevenir tais crimes. Em recente declaração, a secretária de Estado de Segurança Pública, coronel Susane Tamanho, sugeriu que o monitoramento de homens com histórico de agressões seja uma das medidas para evitar novos feminicídios. Ela também enfatizou a importância de fortalecer a rede de apoio às vítimas para romper o ciclo da violência.
A coronel, que assumiu a Secretaria de Estado de Segurança Pública em abril de 2023, sucedendo César Roveri, recebeu do governador Otaviano Pivetta a responsabilidade de intensificar o combate à violência contra a mulher. Dados do 3º Anuário da Mulher de Mato Grosso revelam um incremento de 13% nos registros de feminicídio no estado entre 2024 e 2025, um cenário alarmante que requer ações efetivas.
Dentre as iniciativas adotadas pela Secretaria de Estado está o monitoramento de agressores com histórico de violência. Para Susane, essa iniciativa pode ser um divisor de águas na luta contra os feminicídios. "Muitas vezes, as agressões ocorrem dentro das residências. Não temos acesso a esses ambientes, mas precisamos ficar atentos. Estamos realizando visitas orientativas a agressores que não possuem medidas protetivas contra eles", declarou a secretária.
Susane Tamanho destacou que, até o momento, cerca de 35 mil agressores foram identificados em Mato Grosso. A Polícia Militar iniciou uma série de visitas a esses homens, orientando-os sobre as consequências de suas ações de violência doméstica. "Estamos aqui para monitorar e orientar. Vocês já tiveram ocorrências de agressão, e agora estão em outro relacionamento, mas isso pode ocorrer novamente. Precisamos que entendam a gravidade da situação", afirmou.
O acompanhamento dos agressores deve ser contínuo, uma vez que é necessário compreender as razões por trás da retirada de medidas protetivas por parte das vítimas. A secretária levantou questões sobre possíveis dependências emocionais ou financeiras que levam as mulheres a retornarem a relacionamentos abusivos. "É fundamental entender o porquê disso acontecer", enfatizou.
Para a secretária, a redução da violência contra a mulher demanda uma abordagem que vá além da mera repressão aos agressores. O Estado disponibiliza programas para promover a independência financeira e facilitar o acesso à moradia, mas é crucial que as vítimas reconheçam sua situação de vulnerabilidade, denunciem e busquem apoio. "O mais importante é que a mulher se conscientize disso para romper o ciclo de violência", destacou Susane Tamanho.