A discussão sobre a possibilidade de reeleição da presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL), provocou um acirrado confronto entre a vereadora e o deputado estadual Juca do Guaraná (PSDB). Em entrevista concedida na terça-feira (2), Juca manifestou sua oposição à recondução consecutiva ao cargo, defendendo a continuidade das regras atuais. Para ele, a alternância de poder é fundamental para a democracia, pois abre espaço para que outros parlamentares tenham a chance de concorrer à presidência da Casa.
O deputado recordou seu tempo à frente do Legislativo municipal e afirmou que não buscou a reeleição em respeito às normas vigentes na época. Segundo Juca, a alteração das regras em um momento como este não seria benéfica para a instituição. Ele também mencionou que tentativas semelhantes de mudança já haviam sido rechaçadas em legislaturas passadas com base em entendimentos jurídicos adotados pela própria Câmara.
As declarações de Juca foram prontamente contestadas por Paula Calil. A presidente da Câmara argumentou que barrar sua candidatura seria uma medida que foge dos princípios democráticos. "Impedi-la de disputar em igualdade com os outros é o que realmente fere a democracia", enfatizou.
Em sua fala, Paula ainda desafiou o deputado a refletir sobre a prática em outras casas legislativas, onde a recondução de presidentes é permitida. "Pergunte a ele se na casa legislativa onde ele está é permitida ou não a reeleição. Fica essa reflexão sobre o que é democracia realmente", declarou.
A polêmica ganhou força nos bastidores, especialmente após o prefeito Abilio Brunini (PL) ter demonstrado apoio à proposta de alteração do regimento. Essa movimentação, no entanto, encontrou resistência entre alguns vereadores, que argumentam que a mudança das regras às vésperas da eleição da Mesa Diretora atenderia a interesses específicos.
Atualmente, o regimento interno da Câmara de Cuiabá proíbe a reeleição consecutiva para o mesmo cargo na Mesa Diretora. Para que a norma seja alterada, Paula Calil precisará garantir o apoio de dois terços dos vereadores.