O deputado estadual Faissal Calil (PL) se manifestou nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, após ser Alvo da Operação Gemini, conduzida pela Polícia Federal. Em sua declaração, Faissal expressou tranquilidade diante das investigações, afirmando que "quem não deve, não teme". O parlamentar ressaltou que não possui qualquer ligação financeira com o desembargador afastado Dirceu dos Santos, apontado pela PF como seu "homem de confiança" em um suposto esquema de venda de sentenças no Judiciário de Mato Grosso.
Faissal relatou que recebeu os policiais de forma pacífica e que ainda não teve acesso ao conteúdo da decisão judicial que motivou a operação. "Recebemos a polícia com muita tranquilidade. Não tem nada a ver com o meu mandato de deputado. É uma decisão vinda do STJ. Nós ainda não temos ciência do teor dessa decisão. Estou aqui pronto para esclarecer todos os fatos", declarou o deputado.
O deputado, que atuou no gabinete de Dirceu dos Santos no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) entre 2017 e 2018, afirmou que a relação com o desembargador foi encerrada após sua saída do tribunal. "Desde que virei deputado e saí do Tribunal de Justiça, perdi todo o contato. Eu simplesmente me afastei. Pode investigar o que for. Estou muito tranquilo", afirmou.
A investigação da Polícia Federal aponta que o desembargador Dirceu dos Santos é proprietário de um apartamento avaliado em R$ 1 milhão, localizado no bairro Duque de Caxias, área nobre de Cuiabá. Documentos analisados pelos investigadores sugerem que o imóvel foi adquirido por meio de uma permuta em conjunto com Faissal Calil, embora o apartamento não esteja listado na declaração de bens apresentada pelo deputado à Justiça Eleitoral.
Os envolvidos na Operação Gemini podem ser responsabilizados por crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, dependendo do grau de participação de cada um. Essa operação é um desdobramento da Operação Sisamnes, que também resultou no afastamento dos desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, além do juiz Ivan Lúcio Amarante.
O esquema de venda de sentenças foi exposto após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em Cuiabá em 2023. Mensagens e arquivos encontrados em seu celular teriam revelado detalhes sobre as negociações de decisões judiciais, dando início a uma série de investigações e ações judiciais no estado.