Na tarde de terça-feira, 19 de maio de 2026, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, decidiu anular a restrição que impedia a circulação de um veículo pertencente ao vereador Chico 2000, sem partido. Além disso, o magistrado autorizou a devolução de um celular apreendido e determinou que as defesas do parlamentar e do Sargento Joelson, do PSB, tenham acesso integral aos dados extraídos dos aparelhos eletrônicos apreendidos durante a Operação Perfídia, que investiga um suposto esquema de cobrança de propinas na Câmara de Cuiabá.
A decisão do juiz foi proferida a partir de um pedido das defesas, que argumentaram que a restrição de circulação do veículo não tinha respaldo na decisão que decretou o sequestro dos bens. O Ministério Público também se manifestou a favor do pedido, reconhecendo que a ordem judicial se limitou à constrição patrimonial, sem incluir a proibição de circulação dos veículos.
O juiz acatou o argumento e afirmou que a imposição da restrição de circulação configurava uma extrapolação da ordem jurisdicional. "De fato, a inserção de restrição de circulação revela-se medida não amparada pela decisão judicial", destacou o magistrado.
Em relação à solicitação de cerceamento de defesa, Jean Garcia de Freitas Bezerra negou a suspensão do prazo para alegações finais, argumentando que o acesso completo aos arquivos não era indispensável nesta fase inicial do processo. Contudo, ele ordenou que a autoridade policial fornecesse todas as mídias extraídas dos celulares em um prazo de dez dias, garantindo assim o contraditório para futuras fases do processo.
A Operação Perfídia, que foi deflagrada em abril de 2025, investiga um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo a empresa HB 20 Construções Eireli, responsável pelas obras do Contorno Leste. A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) apontou que vereadores teriam recebido uma quantia de R$ 250 mil da empresa para facilitar a tramitação de matérias de interesse da construtora na Câmara Municipal.
Em abril deste ano, tanto Chico 2000 quanto Sargento Joelson se tornaram réus na ação, após a denúncia ser aceita pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, que considerou haver indícios suficientes de autoria e materialidade para a abertura da ação penal.