Como a saída de Cássio, Divanio e Evirlene marcou o início de um período de abandono e silêncio em Confresa
OPINIÃO | O silêncio que paira sobre o Parque de Exposições e o estrondo seco de veículos caindo em crateras pelas ruas têm a mesma origem: decisões assinadas que desestruturaram o funcionamento de uma cidade inteira.
CONFRESA – Há um luto silencioso tomando conta de Confresa. Não se trata apenas da ausência de uma festa tradicional, mas da sensação de que a eficiência administrativa foi sepultada junto com a saída de nomes que sustentavam o ritmo da gestão pública. O chamado “peso da caneta”, exercido pelo prefeito Ricardo Babinski, não resultou apenas em exonerações — resultou na interrupção de uma engrenagem que, até então, funcionava.
Em 2025, mesmo sob condições adversas, com chuvas intensas e desafios estruturais, a cidade apresentava respostas. O asfalto era mantido, as equipes estavam nas ruas e havia uma percepção clara de organização. Hoje, o contraste é inevitável.
O trio que sustentava a engrenagem
Relembrar 2025 é revisitar um período em que a gestão operava com coordenação. À frente da Secretaria de Obras, Divanio de Oliveira mantinha presença ativa nas ruas, garantindo trafegabilidade mesmo em cenários difíceis. Nos bastidores, Cássio Mesquita de Moraes exercia um papel estratégico, articulando processos, organizando fluxos e assegurando que as ações saíssem do papel.
Na Cultura, Evirlene Sipaúba dava identidade à gestão. Foi sob sua condução que a Expofresa 2025 ganhou destaque, não apenas como evento, mas como símbolo de resistência e mobilização social.
Juntos, esses nomes representavam mais do que funções administrativas: formavam uma base de sustentação que integrava planejamento, execução e valorização cultural.
O vazio deixado e a cidade que sente
Após as exonerações, o cenário mudou. A ausência de manutenção adequada nas vias urbanas passou a ser percebida com mais frequência. Problemas que antes eram rapidamente solucionados hoje se acumulam. A população sente no dia a dia — no deslocamento, no comércio, na rotina.
No campo cultural, o impacto também é evidente. O cancelamento da Expofresa 2026, justificado como medida de priorização de recursos para infraestrutura, gerou questionamentos. Para muitos, a experiência recente mostrou que era possível conciliar investimentos estruturais com eventos que movimentam a economia e fortalecem a identidade local.
O custo das decisões
Mais do que uma mudança de equipe, o que se observa é uma ruptura na dinâmica administrativa. A saída de figuras-chave comprometeu a continuidade de processos e afetou a capacidade de resposta da gestão.
O resultado é sentido de forma concreta: motoristas enfrentam ruas em más condições, comerciantes deixam de contar com o aquecimento econômico que eventos proporcionam, e a população convive com a percepção de retrocesso.
A discussão que fica não é apenas sobre nomes, mas sobre gestão, continuidade e impacto das decisões políticas na vida cotidiana.
Confresa, hoje, vive entre o silêncio de uma festa que não acontecerá e o barulho constante de problemas que se acumulam. A pergunta que permanece é direta: até quando decisões administrativas continuarão pesando mais sobre o cidadão do que os resultados que ele espera?