O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a referência oficial da inflação no Brasil, teve sua previsão ajustada de 5,04% para 5,09% para 2026. Essa alteração foi divulgada no Boletim Focus, uma pesquisa que o Banco Central realiza semanalmente para captar as expectativas de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos. O aumento na previsão ocorre pela décima segunda semana consecutiva, impulsionado sobretudo pela guerra no Oriente Médio, que tem elevado os preços dos combustíveis e, consequentemente, a inflação.
A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, resultando em limites que variam de 1,5% a 4,5%. Em abril, a inflação oficial, medida pelo IPCA, foi impactada pela alta nos preços dos alimentos, fechando em 0,67%. O acumulado em doze meses ficou em 4,39%, ainda dentro do teto da meta de inflação.
Para os anos seguintes, a expectativa de inflação para 2027 passou de 4,01% para 4,02%. Para 2028 e 2029, as projeções indicam inflação de 3,66% e 3,5%, respectivamente. O Banco Central, por sua vez, utiliza a Taxa Selic como principal ferramenta para controlar a inflação, a qual está atualmente fixada em 14,5% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, em sua última reunião, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, marcando a segunda queda consecutiva, mesmo diante das incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic atingiu 15% ao ano, o maior nível registrado em quase duas décadas. A redução da taxa de juros tende a baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo, o que pode ajudar a controlar a inflação e impulsionar a atividade econômica.
O boletim também revisou a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que passou de 1,89% para 1,9% para este ano. Para 2027, a projeção se mantém em 1,7%, enquanto para 2028 e 2029, os analistas preveem uma expansão de 2% para ambos os anos. No primeiro trimestre de 2026, a economia apresentou um crescimento de 1,1% em relação ao último trimestre de 2025, com um crescimento acumulado de 2% nos últimos doze meses, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2025, a economia já havia crescido 2,3%, com expansão em todos os setores, principalmente na agropecuária, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento. O Boletim Focus também revela que a previsão para a cotação do dólar é de R$ 5,16 ao final deste ano, e de R$ 5,25 ao término de 2027.