A Polícia Federal deflagrou a Operação Gemini, um desdobramento da Operação Sisamnes, na qual foi revelado um esquema de venda de sentenças que envolvia o desembargador do Tribunal de Justiça Dirceu dos Santos, o deputado estadual Faissal Calil e um advogado. A investigação identificou movimentações financeiras que ultrapassam R$ 3,2 milhões em depósitos e saques relacionados a esse esquema, descoberto na manhã de segunda-feira, 8 de junho de 2026.
De acordo com as investigações, os repasses sem justificativa eram oriundos de empresas do agronegócio que estavam em disputas de terras no Tribunal. A apuração teve início a partir de dados extraídos de celulares, relatórios de inteligência financeira e troca de informações com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), permitindo desvendar um complexo esquema de intermediação patrimonial e financeira liderado por Dirceu.
Dirceu dos Santos possui um patrimônio avaliado em mais de R$ 16 milhões, um valor considerado incompatível com seus rendimentos como magistrado. Ele está afastado de suas funções desde março, por determinação do CNJ, em decorrência das investigações que envolvem seu nome.
Faissal Calil, um dos alvos da operação, é considerado homem de confiança de Dirceu. O deputado trabalhou no gabinete do desembargador entre 2017 e 2018, período em que também foi eleito para seu cargo atual. A Operação Gemini resulta de um aprofundamento nas investigações que já haviam afastado outros desembargadores, como Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, além do juiz Ivan Lúcio Amarante, que também foram alvo de ações da Polícia Federal.
O esquema de venda de sentenças veio à tona após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em Cuiabá no ano de 2023. Mensagens e arquivos encontrados no celular de Zampieri revelaram detalhes sobre as negociações de decisões judiciais, levando à intensificação das investigações e à deflagração da Operação Gemini.