A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá passou a ser marcada por articulações intensas entre os grupos políticos. O foco principal vai além da escolha do novo presidente da Mesa Diretora, envolvendo a necessidade de formar uma maioria capaz de promover alterações no Regimento Interno da Casa.
A presidente Paula Calil (PL) está no centro dessa movimentação, uma vez que busca viabilizar sua candidatura à reeleição. Para que isso ocorra, é imprescindível aprovar uma modificação regimental que requer o apoio de dois terços dos vereadores, o que equivale a 18 votos.
Atualmente, a configuração de forças entre os grupos políticos é relativamente equilibrada. Os aliados de Paula afirmam contar com o apoio de 12 vereadores, enquanto o bloco liderado pelo vereador Ilde Taques (Podemos) reúne 13 parlamentares que se organizam em torno de uma candidatura alternativa para a próxima Mesa Diretora.
Contudo, a diferença entre os números não é suficiente para garantir uma vantagem clara a nenhum dos lados. O maior desafio reside em conseguir a maioria qualificada exigida para efetuar as mudanças nas regras internas do Legislativo. O vereador Demilson Nogueira (PP), que integra a base da presidente, reconheceu a meta do grupo em ampliar o número de apoiadores. "Estamos trabalhando para chegar aos 18 votos", afirmou.
Nesse contexto, alguns parlamentares tornaram-se peças-chave nas negociações. Dilemário Alencar e Baixinha Giraldelli, por exemplo, mantêm diálogos com diferentes grupos e ainda não definiram seu alinhamento para a disputa. Nos corredores da Câmara, há uma percepção de que qualquer movimentação desses vereadores pode impactar diretamente o equilíbrio de forças durante a eleição da Mesa.
Além das articulações políticas, uma possível discussão judicial também começou a ser cogitada. De acordo com Demilson, membros do PL estão considerando questionar a antecipação da eleição da Mesa Diretora, marcada para o dia 25 de agosto. Essa possibilidade surgiu após decisões recentes do Supremo Tribunal Federal sobre eleições antecipadas em casas legislativas.