Em 8 de junho de 2026, o Governo de Mato Grosso, em conjunto com o Ministério Público do Estado (MPE), firmou um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) que institui o Plano de Desenvolvimento Florestal do estado. Este acordo estabelece uma redução progressiva do uso de biomassa originada da supressão de vegetação nativa licenciada, com a meta de eliminação total dessa prática. O Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem) expressou sua revolta em relação a essa decisão.
A nota pública do Cipem destaca a perplexidade e indignação diante da proibição do uso de cavaco de madeira nativa, que é oriunda de atividades de supressão vegetal autorizadas. A entidade argumenta que a madeira, por ter sido licenciada e acompanhada de plano de manejo e fiscalização, deveria ser utilizada para gerar energia limpa, além de contribuir com empregos e arrecadação. A alternativa apresentada pelo governo, de queimar essa biomassa a céu aberto, é vista como um retrocesso em um momento em que se discute a transição energética e a bioeconomia.
Os representantes do Cipem ressaltam que os produtores têm cumprido as leis vigentes e que a utilização da madeira como biomassa traz benefícios ao meio ambiente, garantindo o sustento de trabalhadores e suas famílias. A proibição, segundo a entidade, gera insegurança jurídica e instabilidade socioeconômica, além de comprometer uma atividade legal e legítima.
Além disso, o Cipem enfatiza que a biomassa é um recurso renovável que pode substituir combustíveis fósseis, como gás e óleo BPF, nas caldeiras das indústrias em Mato Grosso. Nos últimos anos, o estado tem atraído grandes produtores de biocombustíveis, oferecendo incentivos fiscais e infraestrutura, com investimentos que ultrapassam R$ 18 bilhões, resultando em geração de empregos e desenvolvimento. A proibição do uso de resíduos de supressão licenciada é considerada uma ameaça ao avanço da nova indústria no estado.
Por fim, o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso faz um apelo ao Ministério Público do estado, solicitando que continue a atuar como guardião da legalidade e promotor de boas práticas. O Cipem pede que o MPE exija eficiência energética, rastreabilidade e a diferenciação entre produtores que cumprem a lei e aqueles que cometem crimes ambientais, como o desmatamento ilegal.