O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), fez severas críticas ao Governo Federal durante a inauguração de um terminal ferroviário em Dom Aquino, ocorrida no domingo, 21 de junho de 2026, às 08h17. Pivetta afirmou que a União comete um "crime" contra o estado ao manter uma política de juros elevada, que atualmente se encontra em 15%. Para ele, essa taxa inviabiliza investimentos a longo prazo e compromete o desenvolvimento econômico.
Na solenidade de inauguração, que contou com a presença de autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), Pivetta destacou a importância de um ambiente de negócios favorável. Ele argumentou que o Brasil gasta mais do que arrecada e que, para melhorar a situação econômica, é necessário cortar gastos e reduzir os juros. "Nós organizamos o Estado em 2019, fizemos saneamento fiscal e mantivemos o Estado com capacidade de investimento sem pagar muito juros. Nossa dívida é pequena. É isso que o Brasil tem que fazer. E aí as empresas conseguem prosperar", afirmou o governador.
Outro ponto abordado por Pivetta foi a burocracia enfrentada em processos de licenciamento ambiental, especialmente em grandes obras. Ele elogiou a agilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) ao licenciar a primeira Ferrovia Estadual do Brasil, destacando que a Ferrovia Estadual de Mato Grosso só foi possível devido ao controle estadual.
Pivetta também citou o caso da MT-251, mencionando que há três anos o estado aguarda uma licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a Estrada da Chapada. "É um crime o que o Governo Federal faz contra o Mato Grosso. É impossível aguentar. É um desaforo", disparou.
As declarações do governador foram contestadas pelo ministro dos Transportes, George Santoro, que também estava presente no evento. Ele defendeu que os processos de licenciamento, tanto estaduais quanto federais, seguem as mesmas normas e assegurou que não há obras paradas em Mato Grosso devido a questões de licenciamento. Santoro ainda afirmou que o governo está empenhado em tirar projetos do papel e criticou a retórica de Pivetta, sugerindo que a solução reside no trabalho conjunto e na superação de desafios burocráticos.