Na manhã de 14 de abril de 2026, a Polícia Civil deu início à operação Mil Faces, com o objetivo de desmantelar um grupo criminoso envolvido em invasões a dispositivos eletrônicos e furtos com a criação de cadastros fraudulentos em uma grande provedora de telefonia.
A ação inclui o cumprimento de 13 ordens judiciais, que abrangem dois mandados de prisão preventiva, cinco mandados de busca e apreensão, três mandados para sequestro de bens e valores, além de três mandados para afastamento de sigilo telemático. Tais ordens foram emitidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Cuiabá.
Os locais-alvo da operação incluem Poxoréu, em Mato Grosso, e a região metropolitana de Vitória, no Estado de Espírito Santo. Os suspeitos estão sendo investigados por associação criminosa, invasão de dispositivo informático qualificada, falsidade ideológica e furto qualificado mediante fraude eletrônica, com penas que podem totalizar até 19 anos de reclusão.
A investigação, liderada pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), teve início após a provedora de telefonia identificar anomalias em seus sistemas. A análise interna revelou um esquema que utilizava Inteligência Artificial para contornar sistemas de segurança biométrica, utilizando reconhecimento facial.
Os criminosos eram proficientes em gerar deepfakes, biometrias faciais falsas, que permitiam a validação de identidades falsas. Com isso, realizavam a troca indevida de chips (SIM swap), obtendo controle total das linhas telefônicas das vítimas.
A operação também contou com apoio da Coordenadoria de Enfrentamento ao Crime Organizado (Cecor), da Delegacia Regional de Primavera do Leste e da Delegacia de Polícia de Poxoréu, além da colaboração da Polícia Civil do Estado de Espírito Santo, que cumpriu mandados contra um suspeito em Cariacica. A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026 e faz parte da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero Contra Facções Criminosas.